Em 365 dias

Eu te amei! Amei-te com todas as minhas forças. Acreditei! Confiei! Entreguei meus sentimentos de forma pura e simples. Dediquei tempo, atenção, cuidado, paciência. Sofri calado seus encantos e paixões por outro. Dei tempo ao tempo para que ele lhe trouxesse o esquecimento que eu tanto desejei. Vivi noites em claro pensamento no que você poderia estar pensando. No que estaria fazendo quando lhe esperava para poder dormir, mas sem respostas, sem boa noite, sem beijo, sem nada. Tolerei suas desculpas para encobrir seus sentimentos por alguém que não era pra você.

Nossa! Nunca pensei que todo esse sofrimento pudesse ser bom. Descobri uma fortaleza dentro de mim. De tanto sofrer construí tantas outras, maiores e mais fortes. Hoje sou imune a “coisas” que outrora me fariam chorar, atormentar, dilacerar por dias e noites. Hoje vejo o mundo do alto de torres de vigília, construídas para alertar quaisquer ameaças eminentes. Construídas também para alertarem de sua aproximação.

Hoje sou forte o suficiente para passar por tudo isso novamente, mas teria formas diferentes para lidar, direcionar, combater. Carreguei um sofrimento trazido pra própria fragilidade em pessoa. A incerteza encarnada. A insegurança aprisionada em forma humana. Somadas, tornam o ser que as carrega em si, uma máquina que proporciona apenas o sofrimento. Pois você é o sofrimento. Atrás de sorrisos, de amizades maquiadas, de interesses secundários e de mentiras com pinceladas de verdade, você transmite a falsa imagem do poder. Esconde-se por trás de uma beleza externa, que se explorada, descobre-se a escuridão onde vivem as mais terríveis criaturas.

Basta. Vi o suficiente. Vivi o suficiente. Dividi mais que qualquer outro talvez o faça. Doei partes de mim para levar um pouco de luz a escuridão. E doeu. Doeu profundamente. Só quero caminhar agora, em um caminho que eu não tenha que entregar partes de mim para ser feliz. Mas diferentemente de entregar, quero compartilhar. Quando se compartilha, recebe-se algo em troca. Sem receios, sem dúvidas, sem desconfianças. Descobri na pele a fórmula mágica que leva a mudança: faça ao outro, o que gostaria que lhe fizessem – talvez não seja tão útil se não for compartilhada por ambos. Se ela for a base, não há como errar. 

Apesar de tudo, encontrei também motivos para não insistir numa luta. Devemos saber a hora de decidir um ganhador. Independetemente de quanta força ainda resta para lutar. Uma batalha pode valer a pena, mas não uma guerra. E a batalha já tem um ganhador: você!

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