Simplesmente complicado


"Tratar" de pessoas não é fácil. Não quando elas não veem o que nós vemos; quando elas não querem encontrar o que queremos lhes mostrar; ou mesmo quando queremos que elas sigam caminhos menos doloroso. Aceitar que não podemos caminhar por elas, nem falar por elas é um processo lento e dolorosos. Isso deperta um sentimento de incapacidade e faz com que nossa teoria seja débil.
Seria fácil se pudessemos apagar algumas lembranças e remover "cirurgicamente" certas cicatrizes. Algumas vezes já me disseram: como seria bom se pudéssemos escolher quando quiséssemos a parte do cérebro à ser formatada e (re) começarmos do zero. Realmente seria extremamente mais fácil, mas as pessoas perderiam sua importância. A vida perderia o sentido se não tivéssemos pelo que sofrer e pelo que relembrar.
Há de medo errar, medo de lembrar e medo de esquecer. Há medos e mais medos, mas esquecemos que sem estes não adquirimos ou reconhemos qualidades e virtudes. Cobramos e somos cobrados por algo que se cria e modifica constantemente. Não há padrões ou receitas para acertar o topo, sem antes passarmos pelas pequenas provações diárias.
Não somos criados para errar e muitos menos para acertar. Cabe a nós fazermos escolhas cegas, ou no mínimo embaçadas para seguirmos adiante. Se o sucesso dependerá dessas, somente o tempo dirá. Mas que a felicidade está em cada momento, em cada escolha em fazer alguém feliz ou melhor, sim, essa é uma das verdades.
A máscara da felicidade, da perfeição, da superação não está ao alcance de todos, e assim deve ser. Viver à sombra do que aparenta ser (agradar), não será o melhor caminho para quem realmente quer encontrar a melhor forma de ser e se encontrar. Falta para alguns um amor diferente, mas base para o nascimento de qualquer outro amor. Aquele difícil de cultivar: o amor próprio. Se não há tal base, qualquer outro amor será vazio e de pouca durabilidade.
Não estou coisificando sentimentos, mas tentando definí-los. Entretando, o que falta para alguns é engolir o próprio coração e se amar por dentro. Redefir prioridades e colocar-se acima de qualquer coisa. Isso não é egoísmo, mas sim, conhecimento. Sem máscaras, sem medos e sem cicatrizes. Sem conhecimento nada somos e nada seremos. Sem encontrar o seu próprio amor, jamais não encontraremos o sentindo em viver.
Mas como não podemos olhar, direcionar e caminhar pelas pessoas, cabe aos que se dizem melhores, o ato de julgá-las e ocultar a sua própria incapacidade de mudá-las. O que seria pior: elas serem o que (e como) são? Ou simplesmente nossa incapacidade de aceitá-las, sem quaisquer mudanças?

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