O Vazio #1

Sou passarinho esvoaçante pelo tempo. Sozinho. Nada sou e tudo sou. Encontrar a fórmula certa, exata e pronta para aliviar meu sofrimento não está ao alcance. Não. Deve ser suada por natureza. Só o Tempo. Se fácil, logo, impenetrável. Um grande “caminho” de minhoca pelo espaço. Sem olhos eles são criados como que indistintamente separados. Mas não o são. Seria fácil encontrar meu caminho se olhos eu tivesse para ver, mas os tenho apenas para olhar. Contemplar o que está além do olhar cabe à alma viajante. Que vai além do que é limitado ao corpo físico, rígido e regido pelas leis inquebráveis da física. Obrigado a rastejar e lentamente caminhar. Nada posso sem acreditar que algo me espera em algum lugar. Sou isso. Somente isso. Assim como minhas palavras que saem sem sentindo, dou vida a elas. Sem eu elas nada são. Dou significado. Prova disso é que do meu silêncio elas nascem. E do nada, mas não vazio, que é o meu silêncio, nasce o que não pode ser compreendido pela mente humana, mas sim, pela alma inquieta que a impulsiona. Nada. O nada é vida e criação. O todo. Passarinho voando. Apenas cantando. Seu canto traduzido em palavras sem sentido, mas com significantes.

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