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É improvável que as coisas possam piorar, ainda que eu tenha certeza que sim. Não me diga o que devo ou não fazer. Sei cuidar da minha vida, da mesma forma que você sabe cuidar da sua. Não cabe a mim mudar as coisas e muito menos a você. Nascemos assim e talvez morreremos assim. A vida nos molda da melhor forma. Ela empurra como quer, pisa como quer e ensina como quer. Não sei se é o melhor, mas é o melhor que sei: apanhar. Se você quiser posso lhe ensinar. É simples, é só você ser trouxa. Coloque a cara a tapa e você verá como é bom apanhar um pouco. Já tive medo, mas com o tempo se acostuma. Tenho certeza que vai deixar de reclamar de algumas futilidades com as quais você se preocupa frequentemente. Nasci na rua e morrerei na rua. Ninguém sequer sabe o que faço, ou deixo de fazer. Algumas têm nojo, outras pena. Não me importo. Penso demais e talvez por isso eu não faça nada. Quem dera se muitos o fizessem. Pensam de menos, agem por demais. Sequer sabem o que passam dentro de si mesmos. Sabe de uma coisa? Eu sei viver! E vivo muito bem. Melhor do que você que vive correndo para baixo e para cima. Que tem casa e comida. Que tem onde se proteger nas noites de frio e como se refrescar nos dias de calor. Não seja idiota! Continue vivendo assim, enquanto nós vivemos da forma que vocês gostariam de viver: burros, e nós os espertos. Não é assim a forma que nos vêm? Então que seja! Escute bem: não irei repetir isso “nunca” mais. Nem de mim, nem de mais ninguém: você é um ignorante, e por isso não aprende o que a vida quer lhe mostrar. É isso que o medo de ser verdadeiro faz a você.

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