Memórias de um dia de chuva
Versos cantados num fim de tarde chuvosa, quando olho o céu e não posso ver o azul que traz consigo a alegria de um dia ensolarado. Pensamentos sem conexão alguma passam descontrolados pela minha cabeça. Uma sensação estranha acomoda-se em minha barriga. Suspiro com algumas imagens que minha mente insiste em mostrar. Não sei porque suspirar por isso. Mesmo sendo imagens tristes, que ainda fazem meus pulmões expulsarem o ar que circula por eles trazendo vida ao meu corpo. Como se fossem uma série de reações do organismo como forma de expulsar aquilo que não nos faz bem. Uma forma de expulsar a vida do corpo quando a tristeza começa a enraizar. Onde está o céu azul? Sei que está por traz dessas nuvens escuras, e tenho a certeza que a qualquer momento irá surgir uma bela luz. Sinto o vento brincar com meus cabelos e provocar arrepios em minha pele. Memórias. Memórias de uma passado distante e de um passando tão próximo como se houvesse ocorrido hoje mesmo. Ah, como tive experiências! Como cresci desde o último tropeço. Como foi difícil levantar-me do último empurrão que a vida me deu. Valeu a pena. Descobri coisas em mim que até então desconhecia. Sinto um sorriso aparecer em meu rosto. Não sei porque, mas sinto-o mais brilhante que o normal. Tentei imaginar meus olhos nesse momento. Devem estar tão claros como imagino um gramado verdinho agradecido pela chuva que insiste em cair. Mudam de cor tão logo mudam meus pensamentos e sentimentos. Quanto mais claros, maior a felicidade! Ah, como é bom sentir a dor e a alegria de tempos que não voltarão, mas que ficarão sempre nas memórias de um dia chuvoso.
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