(Pre)conceito



- Filho, encontre seu irmão e lhe diga que eu ainda o amo.

- Ele não reconhece esse amor, mãe.

- Encontre e diga que eu o amo, amo tanto, que daria uma minha vida por ele, assim como a daria por você.

- Se amor resolvesse as coisas.

- Se a frieza também resolvesse, meu filho, não estaria lhe pedindo isso. Se a indiferença fosse alimento, não haveria fome. Decisões pequenas que mudam um caminho, uma vida, uma visão. Não escolhemos a quem amar, mas parte de mim ama.

- Valerá a pena encontrá-lo para dizer isso a ele? Já não tentou tantas vezes? Quando irá desistir!?

- Não se trata de desistência, porque nunca devemos desistir de um homem. Desacreditar na capacidade de alguém, é desacritar nas suas crenças mais sagradas. É desacreditar no que de mais verdadeiro e puro existe em você mesmo. Tentar, tentar quantas vezes forem necessárias. Sempre valerá a pena quando o menor dos resultados surgirem. Pedir-me para desistir, seria o mesmo que pedir para desistir de você, filho meu.

- Mesmo ele sendo um negro assassino?

- Não teria sido a sua indiferença um dos motivos para ser o que ele é hoje? Não seria minha culpa por não ter sido mais presente, ao ter que passar dias e noites nas ruas para alimentá-los? Não teria sido a educação falha que não pude dá-los para se tornarem homens de sua mãe? Ou uma moradia descente que nunca pude lhes dar? Por que amor nunca me faltou e nunca há de faltar. Vocês não vivem por mim, mas vivem para que eu viva da esperança de vê-los homens de sua mãe. Todos deveriam ser mães um dia, para entender que amar e ter esperança, sobrepõe-se a qualquer entendimento.

- A Lei existe para frear as pessoas...

- ...é quando elas provam ser falhas. Punem desnecessariamente uns e injustamente outros. A força bruta nunca foi e nunca será semente para a mudança. Prisão nada mais é do que tortura para forçar ainda mais a violência. Violência essa que leva um filho por dia. Preconceito que alimenta a fúria que devorará tantos outros amanhã. Eis meu sofrimento, filho.

Não há palavras em meu vocabulário capaz de expressar sentimento, como os ditos “amor incondicional”, “humildade”, “felicidade” e “caridade” quando provindos do coração e da alma. Virtudes essas que integram um ser ao outro e faz o uno ser possível. Desistir não é algo previsto pelas leis universais, tanto que a alma é imortal impossibilitando assim a sua desistência. Dizer que não temos preconceito seria o mesmo que afirmar não ter esperança.

Obs: Sei que a incoerência sempre invade meus textos, mas também sei que não devo mudar minha forma de escrever. Apenas sei que assim deve ser. Muitas vezes critico coisas que odeio (seria que "amo"), mas faz parte. E uso a incoerência como mais uma maneira de provocar. Assim como as incoerências de mãos que punem, mas dizem educar.



Comentários

C.R. disse…
danadinho... me escondeu esse blog. HÁ.. humpft!!!!!!!

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