Formas incompreensíveis

Para que escrever? O leva uma pessoa insistir em algo que nada lhe beneficia diretamente? A resposta era sempre a mesma: escrever é uma forma de confirmar minha própria existência. Escrever é uma forma de exteriorizar as muitas formas que vivem dentro de mim. Uma forma de curar feridas existentes dessa, e quem sabe de outras vidas. Uma forma de encontrar o silêncio que tanto procuro, mas não alcanço devido a tantos personagens que insistem em querer ganhar voz própria.

Uma batalha vivida dia após dia, todas as vezes que vejo qualquer possibilidade de exteriorizar tantas histórias, como se fossem minhas. E quem poderia dizer que não são? Tantas histórias que acredito ser impossível exorcizá-las de mim. Histórias penosas, alegres, engraçadas. Histórias que nunca terminam.

Meus dedos são a ponte entre o real e o irreal que elas querem comunicar. São formas de amarrar tantas coisas soltas dentro de mim em busca de alguma solução. Como podem tais personagens criar tanta confusão? Como podem ser tão confusos e medrosos? Apenas sei que a história que querem contar tem mais de mim do que deles.

Sou para eles fonte inesgotável de energia e de matéria prima. Sou para eles tudo que têm assim como são para mim tudo que tenho. Sem eles sou o nada que me consome em pedaços cada vez maiores. Uma relação que, como toda relação, é uma via de mão dupla. Ambos precisando de recursos inexplorados dentro de muitas vidas. Vidas que não me pertencem, mas servem como fontes de inspiração.

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