Uma mídia molestadora de mentes


Hoje tive mais um dos meus colapsos nervosos assistindo a um dos telejornais. Não interessa o canal, uma vez que, todos são as mesmas merdas de sempre. Imutáveis assim como a programação de cada uma das emissoras abertas ao grande público que, coincidentemente (ou absurdamente) são as grandes formadoras de opinião.

E, como a COPA é a pauta, a programação ficou ainda mais insuportável, e obviamente o telejornal. De cada dez matérias exibidas, oito são relacionadas a tal evento esportivo, onde comentam até o voo de um pobre gafanhoto no gramado. Tanta atenção desnecessária, sendo que, tal evento esportivo não mais carrega consigo a importante mensagem transmitida em outros tempos: a integração das nações pelo esporte. Tamanha enxurrada de informações de um só acontecimento serve apenas para molestar ainda mais os telespectadores. A meu ver, tudo intencional, com a intenção de deixar qualquer um lesado pelo excesso, e não permitindo o direito (eles mandam) de reagir. Quer uma prova? Escolha e assista um dos telejornais. Depois diga se você parou para pensar (criticar) o que exibiram durante mais ou menos uma hora (que por sinal é uma eternidade).

Transformam pessoas em milhões de robôs, que andam de um lado a outro, sem se darem conta do que fazem e pensam. Estão sob as asas de uma mídia sensacionalista e manipuladora. São milhões de cérebros sem capacidade de produzir e alimentados pela artificialidade. A vida para os alienados tornou-se uma grande novela, e isso não garante um final feliz como os fazem acreditar. Vivem em sonhos, voando alto, nas nuvens (brincando com "ursinhos carinhos)" fugindo da realidade e alimentando velhos estereótipos. 

A inquietação gerada por acontecimentos pequenos ou grandes, que antes seriam um impulso para mudanças sociais, não mais fazem parte do sentir das pessoas. O sentimento de revolta gerador de tal inquietação, passou a ser apenas mais um, do turbilhão infinito de emoções, que adoecem ainda mais essa sociedade. Um mal agindo como um anestésico, que, aos olhos do homem tudo tornou-se comum. Seria um excessivo comodismo? Falta de senso crítico? Ou sair da luta para o melhor e dar mais poder a essa mídia, porque não somos capazes sequer de ter opinião? A incrível mediocridade humana. 

“Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.” (Clarice Lispector)

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